sábado, 31 de outubro de 2009

Soneto do Amor Total


Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

Ternura



Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Saúde nas mãos de um anjo

Economia
Edição de domingo, 25 de outubro de 2009
Rede de farmácias Santa Fé caminha para a primeira década com 39 lojas distribuídas em cinco cidades potiguares
Filipe Mamede // filipemamede.rn@diariosassociados.com.br

Em menos de uma década, o empresário Rubens Guilherme Dantas transformou as seis farmácias que possuia na maior rede de drogarias do Rio Grande do Norte. A receita utilizada foram duas: trabalho e vontade de crescer.

Rubens Guilherme Dantas conta que o concurso para anjinho, mascote da empresa, deu grande projeção à marca Foto: Fotos: Ana Amaral /DN/D.A Press

Sem precisar de empréstimos bancários ou outras espécies de subsídios, a rede Santa Fé cresceu com as próprias pernas, como garante o proprietário, e hoje conta com 39 lojas distribuídas em locais estratégicos das cidades por onde atua, que são Natal, Parnamirim, Mossoró, São Paulo do Potengi e Ceará-Mirim.

Trabalhando no ramo farmacêutico desde 1993, Rubens Guilherme tinha uma rede de drogarias com outro empresário e, em 1998, dividiu a administração da marca junto ao antigo sócio. Mas diferenças na condução da empresa, como preços diferentes praticados por cada uma dos sócios, fizeram com que o empresário desse origem a uma nova empresa. "Ele nem queria comprar minha parte, nem queria vender a parte dele. Tive que começar tudo praticamentedo zero. Peguei as seis farmácias que tinha em meu nome e, em 2000, dei início à Santa Fé", relata Rubens. O concurso para o anjinho da Santa Fé ajudou a divulgar a marca: na primeira seleção houve mais de três mil crianças inscritas; no segundo, foram mais de cinco mil crianças de todo o Brasil.

Contando atualmente com quase 500 funcionários - entre estoquistas, vendedores, farmacêuticos e gerentes -, o empresário se preocupa em oferecer treinamento constante ao seu pessoal. "Um dos nossos focos é os funcionários. Eles estão sempre participando de capacitações, palestras, além de centenas de vídeos motivacionais que sempre passamos para eles no nosso auditório. Além disso, nós sempre buscamos recompensar nossas equipes pelo desempenho. É comum oferecermos prêmios e este ano será um carro", anuncia Rubens Guilherme. "O lema do nosso trabalho é justamente que o maior tesouro da empresa são as pessoas, por isso nós estimulamos o trabalho em equipe e recompensa da inovação, onde todos têm direito de opinar, sendo considerados sócios dos projetos desenvolvidos. As pessoas trabalham aqui motivados, trabalham com o coração", explica.

Para atender a todos os bairros das cidades onde a rede Santa Fé está presente, existem 110 motoqueiros, que fazem entregas em domicílio 24 horas por dia. "É preciso ter agilidade nas entregas, porque, de certo modo, tratamos da saúde das pessoas", destaca o empresário.

Marca fortalecida com ações sociais e de marketing

Quanto à área de responsabilidade social, a Santa Fé faz doações mensais a instituições de combate à fome e ao câncer, além de ter sido a maior arrecadadora de livros do Rio Grande do Norte na campanha "Livro Amigo", promovida pela Editora Abril. "Nessa ocasião, nós arrecadamos mais de 80 mil livros e a partir daí conseguimos criar 13 bibliotecas que atendem à comunidades carentes de Natal e Parnamirim. Atuamos também em parceria com os conselhos comunitários, sempre dando palestras educativas sobre doenças sexualmente transmissíveis, alcoolismo e outros assuntos", destaca.

Com diversas ações de marketing, nas quais sempre há um anjinho como mascote e garoto-propaganda, a Santa Fé mantém o canal aberto com os clientes acompanhando como está sendo feita a entrega de seus produtos ou serviços, considerando ser de fundamental importância para um bom relacionamento e, sem dúvida, um facilitador para um próximo negócio. "Essas são as ações que sempre realizamos: atendimento de qualidade, localização estratégica das lojas, equipe de funcionários, administração e exposição de mídia", diz o empresário Rubens Guilherme Dantas.

Para fidelizar a marca, através de atitudes inovadoras, o empresário distribui ainda diversos brindes como lixas de unha, ímas de geladeira e porta-moedas. "Mando confeccionar mais de 500 mil brindes por ano. Isso é bom porque o nosso contato está sempre por perto dos nossos clientes", observa Rubens Guilherme.

“A gente é idiota” por Carlos Alberto Sardenberg

Você está na Rua Dias Ferreira, calor de rachar, quando vislumbra a imagem luminosa de uma geladeira de sorvetes.
Entra, pede um picolé de limão e, quando vai pagar, percebe que está numa farmácia. Aí, você aproveita e decide comprar um antibiótico.
É isso que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, acha que acontece. Pelas novas regras, as farmácias não podem mais vender balas, sorvetes, bengalas, guarda-chuvas, enfim, nada que não seja medicamento ou coisa próxima. Mamadeira, por exemplo, pode. Roupinha de bebê, não pode.
Qual o argumento? Evitar a automedicação e o uso excessivo de remédios.
E como se faz isso? Reduzindo o número de pessoas que entram numa farmácia.
Ou seja, o pessoal da Anvisa acha que, proibindo o consumidor de comprar chiclete na farmácia, reduz o uso de anti-inflamatórios. Ou, vendo a história pelo reverso, o pessoal acha que o sujeito entra para comprar um chiclete de um real e sai com um pacote de medicamentos de 50 reais.
Além disso, a nova regra determina que as farmácias não poderão colocar os medicamentos de venda livre nas gôndolas e prateleiras, ao alcance dos consumidores. Os produtos deverão ficar atrás dos balcões e o consumidor precisará pedir a um funcionário da farmácia.
Mesmo argumento. O sujeito entra para comprar um comprimido para dor de cabeça e resolve levar antigripal, xarope, preservativo, diurético e tal. Diretores da Anvisa disseram que é preciso proteger o consumidor e evitar que ele caia nas armadilhas insidiosas dos donos de farmácias ou ceda a seus piores instintos de tomar qualquer medicamento que apareça na sua frente.
Mesmo que isso fosse verdade, não resolveria o problema. É óbvio que o funcionário da farmácia, ao entregar o produto solicitado pelo consumidor, vai perguntar: mais alguma coisa? A pessoa que gosta de um remediozinho e os hipocondríacos continuarão indo à farmácia buscar as novidades.
A coisa toda só vai atrapalhar o consumidor normal, a imensa maioria.
Mas há mais. Com essas regras e suas explicações, a Anvisa está dizendo que nós, consumidores, somos uns idiotas, uns bobalhões, vítimas fáceis de charlatães. Assim, o governo, formado por sábios, como todos sabem, precisa dizer o que a gente pode ou não comprar e onde.
Esse cidadão normal, estando doente, obviamente deseja ser atendido por um bom médico, receber a receita e adquirir os remédios corretos numa farmácia confiável. Só não faz isso quando não tem acesso à consulta — acesso a tempo, bem entendido, não esperando dias.
Assim, parece razoável supor que a pessoa se medica quando não consegue ser atendida no SUS ou não tem dinheiro para pagar um serviço privado.
E aí entra o problema adicional: o automedicamento funciona porque se compra sem receita, o que é ilegal.
De maneira que a Anvisa, que regula os planos e seguros saúde, tem aí dois desafios sérios: garantir atendimento eficiente aos doentes e controlar a venda com receita.
Em vez de fazer isso, proíbe a venda de picolés em farmácias. Impõe um desconforto ao consumidor e um custo às farmácias. Todas precisarão mudar seu layout, trocar os móveis.
Para as grandes redes, pode ser um custo normal. Para as pequenas, não.
Além disso, as novas regras retiram faturamento das farmácias, o que encarece toda a operação e, pois, coloca uma pressão adicional sobre os preços de medicamentos.
Em 2007, a Anvisa colocou tais regras em consulta pública. De lá para cá, não houve mudança nesse quadro de assistência insuficiente e venda ilegal sem receita. E o que faz a Anvisa? Resolve complicar o comércio legal.
Reparem: quem vendia sem receita, continuará vendendo. Quem vendia dipirona do Paraguai, continuará vendendo, talvez mais. A farmácia que fazia tudo certinho, vendendo medicamentos e picolés de qualidade, será prejudicada.
Só pode o ilegal.
Por que não copiam um sistema que funciona? Nos Estados Unidos, você compra muitas coisas nas farmácias, verdadeiras lojas de conveniência. Mas não consegue de jeito nenhum comprar medicamento restrito sem receita.
Aqui, eles montam um sistema que vende remédio sem receita, mas não vende picolés nem com receita.